O que tenho assistido recentemente…

Passando aqui para dar minhas impressões pessoais sobre os últimos filmes que tenho visto – porque sempre é bacana compartilhar sugestões que podem interessar a quem lê ^^

Então, os últimos assistidos por ordem de preferência:

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Ôdishon (no original), bastante conhecido lá fora como Audition, e o título brasileiro que encontrei (nem sei se é o oficial, aparece no filmow.com) é O Teste Decisivo, enfim, conta a história de Shigeharu (esses nomes japoneses!) um homem romântico cuja esposa morre e 7 anos depois o filho (e várias outras pessoas e situações) o motivam a casar-se novamente. Um amigo do ramo cinematográfico lhe propõe uma ideia: aproveitando uma audição de elenco para um filme, o protagonista poderia, assim, achar a mulher perfeita, ideal… E ele a encontra – ou assim pensa… acontece que ela, uma linda e aparentemente inocente moça, guarda um passado traumático, uma raiva que é direcionada a Shigeharu. O resultado é um filme de terror com um desenvolvimento bem ritmado, uma direção precisa e um roteiro que sabe construir bem as histórias pessoais e as vidas dos personagens, sem pressa, com cada cena possuindo significados a serem destrinchados no filme com leveza, sem que nada pareça importante demais mas ao mesmo tempo deixando informações suficientes para que cada instante prenda o espectador… e o final é chocante, merecedor de todo o processo pela qual a história se encaminhou.

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Livre (Wild), de Jean-Marc Vallée (mesmo diretor de Clube de Compras Dallas, que rendeu os Oscars de melhor atuação para Matthew McConaughey e Jared Leto) recebeu atenção por aqui na época das premiações pela indicação de melhor atriz a Resse Witherspoon. É mais uma dessas histórias de superação em que fulano(a) busca em uma jornada rumo ao desconhecido um caminho de volta à vida menos desconcertada que levava (lembra bastante o maravilhoso Na Natureza Selvagem). O trunfo de Livre está na atuação realmente emocionante de Witherspoon como Cheryl Strayed, uma moça jovem e inexperiente que parte em uma trilha desértica indo da Califórnia ao Canadá, motivada a achar-se novamente depois de ter perdido a mãe e, consequentemente, caído em uma vida destrutiva de vícios. O ponto que mais me chamou a atenção e me fez gostar tanto do filme foi o modo como Vallée foi criando o background da personagem: com pequenos e rápidos flashbacks (e, na maioria das vezes apenas imagens de como era – nos momentos felizes e nos mais agonizantes – a realidade de Cheryl) que se mesclam à narrativa presente, a da jornada pelo deserto, fazendo com que o filme flua numa corrente constante de imagens e lembranças que ditam as emoções pelas quais a moça passa. Por mais que recaia vez ou outra em situações que lembram uma auto-ajuda barata, o filme se salva sempre na constância em que nos envolve.

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Entes Queridos (The Loved Ones), terror australiano do diretor Sean Byrne, é um desses filmes que pegam o ser humano em um estado de alienação social avançado, quando um sujeito é desprovido de satisfação própria e tenta encontrar na destruição do outro um meio de desoprimir a frustração. Resumindo, um filme em que doidos torturam inocentes e se divertem enquanto o fazem. A história é assim: Brent, um jovem traumatizado por ter causado a morte do pai em um acidente de carro quando aquele dirigia, que é convidado por Lola, uma garota supostamente inocente e tímida, a ir ao baile da escola. O protagonista diz não, pois já vai com sua namorada. Mas Lola rapta o rapaz e, com a ajuda do pai, tem a sua própria festa de horrores com seu par romântico. O bacana é o foco dado não em uma mera exploração do gore, tampouco é dado aos torturadores. Mas sim à vítima, gerando na verdade um filme-superação, apenas que, ao invés de fenômenos naturais da natureza ou quaisquer outras condições impossíveis de se suportar, aqui precisa-se fugir do próprio Homem. O filme é elétrico (e faz uma competição em como fazer cair ainda mais seu queixo), tem uma fotografia linda, uma precisão nas cenas, e uma trilha que comunica muito bem o interior dos personagens (toca um metal pesado para Brent transtornado, um pop de amor desiludido para Lola – aliás, é difícil não tirar da cabeça o Am I not pretty enough? -, etc.). Vale muito a pena para os fãs do gênero.

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Ainda no terror, vi A Casa do Diabo (The House of the Devil), de Ti West (de quem já tinha assistido a Hotel da Morte). Pelo título e umanota introdutória, o desfecho do filme é bem previsível. A trama segue Samantha (interpretada por Jocelin Donahue, cujo rosto anguloso com jeito de indefesa e independente ao mesmo tempo serve bem à personagem) à procura de um trabalho para pagar o aluguel de uma bela casa e sair do dormitório da faculdade, até que ela se depara com um anúncio procurando por uma babá – acontece que o serviço não é o de sempre… mas a protagonista aceita assim mesmo porque precisa da grana. O charme do filme (se pudermos falar assim) fica por conta do suspense que se vai criando durante toda a narrativa, sempre na expectativa de algo acontecer, pela homenagem aos clássicos do horror (lembra bastante, tanto na estética quanto no ritmo, O Bebê de Rosemary  e o início de O Exorcista, nas cenas com Ellen Burstyn andando pelas ruas) e, se não acrescenta nada de novo, ao menos também não se entrega revelando informações e explicações desnecessários – ainda mais que o tema já foi bem utilizado. Cumpre bem a promessa de instigar, envolver e apavorar o espectador. Ah, e ainda tem no elenco a Greta Gerwig (de Frances Ha), como a melhor amiga de Samantha, sendo espontânea e engraçada como ela sabe ser.

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Mommy foi um drama bem badalado lá fora, então decidi ver. É sobre a relação conturbada de Diane “Die” Després e seu filho Steve, que tem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é violento, quase incontrolável. Tudo começa quando ele é expulso de uma instituição onde estava sendo cuidado por ter começado um incêndio e queimado um dos pacientes. A mãe passa então a (tentar) cuidar dele e trabalhar ao mesmo tempo. Desde o início sabemos de uma lei fictícia em que as pessoas podem deixar parentes que lhes causam enorme distúrbio aos cuidados do governo, em algum hospital público… mas aparentemente o cuidado oferecido não é dos melhores pois Die insiste em cuidar pessoalmente de seu filho… até quando? é a pergunta… É um filme bem dinâmico, com ótimas atuações e um clima de que as coisas estão indo de mal a pior. E é bacana como o diretor (o jovem Xavier Dolan de 25 anos, que, em 5 anos, lançou 5 filmes) filma em aspecto 1:1, quadrado, dando uma sensação claustrofóbica, e abre a tela como alívio em um amplo 16:9 (cobrindo a tela toda de uma tv widescreen) nos momentos felizes (na primeira vez que isso acontece é ainda mais interessante porque Steve como que empurra as bordas da tela com as mãos). É um filme bem intenso e gostoso de assistir.

 

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O último foi A Invasora (À l’intérieur), dos franceses Alexandre Bustillo e Julien Maury, sobre uma mulher, Sarah, que sofre um acidente de carro enquanto grávida e perde seu marido. Quatro meses depois, na véspera do natal (também na véspera do dia marcado para ela dar a luz) uma estranha que parece conhecer a vida da protagonista surge à sua casa e começa a ameaçá-la e torturá-la, sem que saibamos de início o seu motivo. E o bacana é que há uma sugestão da dúvida entre o que se passa ser ou não a realidade, por conta de sonhos perturbadores que Sarah tem sobre sua gravidez e a dualidade branco/preto presente nas roupas que a  personagem principal e a invasora do título vestem (e não só nas vestimentas esse possível símbolo está presente). E segue assim até o final quando descobrimos o que realmente está acontecendo naquela casa. Ah, sim, é um filme com imagens beeeem fortes, então não é muito recomendável aos de estômago fraco. Fora isso, é um bom filme pela sua direção concentrada na ação constante e que não repete os confrontos.

Vi uns outros três que não curti muito (ou mesmo odiei) e, assim, descobri que, para mim, é mais  fácil falar do que gostei (conheço muito mais gente com quem acontece o contrário – para detonar algo as palavras fluem). Enfim, foram E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (O Brother, Where Art Thou?), Caminhos da Floresta (Into the Woods) e A Garota Que Anda à Noite (A Girl Who Walks Home Alone at Night):

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O primeiro é um filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, por cuja filmografia em geral sou apaixonado e esse era um dos bem poucos que faltavam para assistir a tudo deles… e me frustrei em não encontrar a direção bem centrada dos irmãos e ao contrário tudo, cada cena, pareceu-me fora de sincronia uma com a outra – na verdade em algumas os próprios atores pareciam estar fazendo um filme diferente, ou simplesmente desinteressados em atuar -, deixando-me com a impressão como que a de uma orquestra com cada instrumento tocando horrivelmente desafinado…

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O segundo já sabia, por comentários de amigos, que não devia esperar grande coisa, e foi pior do que isso, foi maçante – o filme tem duas horas e na primeira eu sentia como se já tivessem passado três. Geralmente gosto de musicais, mas esse de Rob Marshall não desceu… Algumas músicas boas, a presença de Meryl Streep e só…

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O último foi um que eu esperava mesmo gostar. Trata-se de um drama iraniano da diretora Ana Lily Amirpour, com elementos de horror, que veio recebendo certo destaque recentemente. É sobre uma garota vampira que vagueia à noite na fictícia Bad City e escolhe suas vítimas aparentemente de acordo com o modo como elas levam suas vidas – os maus ela os ataca e sacia sua sede. A ela aos poucos se aproxima um rapaz cujo pai é viciado em drogas; e os dois começam a se conectar, fora que ambos querem escapar da cidade sombria em que vivem. O que fez com que o filme não me descesse bem foi, além do senso de descompasso e falta de foco e concentração na história (que, veja bem, digo aqui “história” por convenção, porque quase nada acontece, o que não é um defeito narrativo quando bem executado – em muitos dos meus filmes favoritos “nada acontece”) -, passando a impressão de que pouco material de importância para a criação da atmosfera do filme foi entregue (pois parece ter sido a intenção da diretora tornar A garota… um desses filmes carregados, que lembram sonhos). Enfim, além disso, o que mais me desagradou foi o uso  de uma trilha sonora percorrendo gêneros aleatórios demais para que tudo formasse um todo (vai de tons de western, passando por rock e algumas faixas de dark ambient para dar um clima soturno).

Anyway, foram esses os mais recentes, e houveram mais quatro (um dos quais já havia visto outras duas vezes) que se tornaram meus favoritos, e gostaria de falar mais detidamente sobre eles em posts separados (se conseguir arrumar disposição)…

Até a próxima!

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