Mais uma Bienal: um relatório (04/09/2015).

Entrar na Bienal, para um amante dos livros, não importa a quantas edições do evento tenha comparecido, traz sempre aquela emoção intensa, aquela felicidade jorrando sem cessar de dentro de si por ver aquele oceano de livros espalhados em todos os cantos. Então acaba não importando tanto se o seu autor preferido não foi convidado, se você terá de nadar entre um mar de pessoas, se a viagem até lá será longa, ou os seus livros mais desejados não estão com um desconto bacana – você está em casa!

Foi com esse ânimo que acordei às 7 da manhã, saí de casa às 8 e cheguei à Bienal uma hora e meia depois de ter aberto, sabendo o encanto que me esperava.

Fiz uma listinha na noite anterior com a localização de todos os stands que queria visitar – os favoritos mesmo eram os das editoras Aleph, Biblioteca Azul, Zahar, Rocco, Record, Martins Fontes, Alfaguara (do grupo Objetiva) e Companhia das Letras (as duas últimas estavam juntas dada a recente incorporação dessas editoras). Como sempre, fui despreocupado em relação a que livros procurar – porque acho mais legal descobrir o que de bom cada expositor tem a oferecer como quem se permite ser invadido pelas novidades de uma terra nova; e porque o que pretendia levar deveria obedecer a proporção: livros mais desejados/maior desconto.

Assim, comecei a zanzar por entre as avenidas e em uma hora já estava tonto, embriagado.

Comecei pela Cia. das Letras, e não foi nenhuma surpresa não encontrar muitas promoções – alguns livros aqui e ali com preços menores, nenhum que fosse algum lançamento ou que estivesse atualmente em voga; nada do que já não costume aparecer nos descontos da internet… A decepção foi pela editora Alfaguara – eles, que traziam nos anos passados os melhores descontos, esse ano, provavelmente por causa da mencionada incorporação com a Cia., estava na mesma situação que esta.

A mesma coisa seguiu-se na visita à maioria das outras editoras: a Zahar, com suas edições lindas de clássicos em capa dura e colorida, contava com preços convidativos para seus pockets de luxo (mas não diferente do que nas próprias livrarias físicas geralmente aparece); ao resto, deram descontos simbólicos, quando não ilusórios – perguntei qual era o preço de um livro contendo a estampa de “promoção” em vermelho, e, quando a funcionária retornou com a informação, descobri que o preço “promocional” era o de tabela!

A Biblioteca Azul (um selo da Globo Livros) deu a um ou outro livro pouco chamativo o máximo de uns 30% ou 40% de desconto. Alguns apareciam com 20%. A maioria estava em seu preço normal. A Rocco dava 20% em todo seu catálogo, assim como a L± A Record apresentava no mínimo 20% de desconto em seus livros, com o bônus de 10% caso se comprasse acima de 3 exemplares.

Uma que surpreendeu foi a Martins Fontes, oferecendo 50% de desconto a todos os seus livros… bem, a todos que lá estavam; o stand estava bem pouco provido de volumes… Aproveitei para levar o segundo e o terceiro livros de O Senhor dos Anéis naquelas lindíssimas capas desenhadas pelo autor que namorava há 5 anos! (infelizmente o primeiro volume eles não haviam trazido… vou importunar pedir gentilmente a um amigo que ainda for na bienal para comprar para mim se eventualmente chegar – preparem-se! hehe). Ah, haviam dois stands da Martins. Um era esse dos descontos, o outro, disseram-me, era de SP (?), mais bem abastecido, mas sem os descontos =/

Quem decepcionou totalmente foi a Aleph – não só eu esperava ver e tocar todos os livros lindos de sci-fi deles, como também estava na esperança de encontrar bons descontos como acontece na Primavera dos Livros (imaginei-me arrebatando todos os Philip K. Dick) – eles, em cima da hora, não puderam vir! Pior foi que ao stand deles corri primeiro, assim que entrei. Como tinha o local já decorado, fui direto aonde pensava que fosse; andei por aquelas ruas em volta do local aproximado vezes sem conta, até ter finalmente decidido perguntar por eles no balcão de Informação. É claro que só sabiam informar o local do stand (o mesmo que eu já rondara trocentas vezes). Fui respondido pela página do Facebook da editora.

Depois de já ter cansado de andar, uma reviravolta: o stand da Distribuidora Catavento. Foi o que fez meu dia! Provavelmente muitos livros deviam estar encalhados no estoque, sem a demanda para enviar às livrarias (as edições variavam entre 2004 até 2006, em média), então eles os colocaram divididos em prateleiras de R$5, R$10, R$15, R$20 e, mais raramente, R$25! E, diferentemente de outros stands (seja de sebos, programas culturais do governo, distribuidoras etc) em que abundavam livros baratos, mas aqueles que pouco interessavam, esses eram livros bons! de editoras boas (a maioria da Cia das Letras – para se ter noção do nível! – bastantes técnicos da Zahar, da Martins Fontes etc. Não lembro de ter visto Objetiva nem Record ou Rocco ou outra assim)! daqueles que estavam na minha lista mental de desejados. E, miraculosamente – devido ao tempo em que estiveram guardados e, talvez, às tantas vezes que foram transportados daqui pra lá – os livros estavam novos! Como se isso não bastasse, encontrei duas raridades que são reais tesouros: os livros Fogo Pálido e Ada ou Ardor (este dito pelo Matheus, A.K.A. Mavericco, um grande amigo, como o melhor do autor) de Vladimir Nabokov, publicados pela Companhia das Letras e traduzidos pelo competente Jorio Dauster. São edições esgotadas há muito e, por isso, quando aparece um exemplar em boas condições na estante virtual, o valor está na casa das cem dilmas…

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O que a Bienal rendeu 🙂

Eram tantos bons livros! Meus olhos não paravam quietos dentro daquele lugar. Ainda muitos outros queria levar (vi um livro da Toni Morrison, da Nadine Gordimer, uma edição ainda da Cia. de O livro dos peixes de Gould – este agora foi editado pela Biblioteca Azul – no qual descobri que vem com uma sobrecapa cheia de adesivos de peixes! Enfim, muitos outros livros) mas não foi po$$ível. Este foi o melhor de todos os stands. É parada obrigatória, fiquem sabendo – fica no pavilhão azul mesmo. O local específico só andando por lá mesmo…

Hoje é o segundo dia da Bienal (que vai até o dia 13/09). E é uma sexta-feira. E eu cheguei lá às 10:30, saindo às 15. Então certamente a combinação desses fatores resultou numa Bienal agradavelmente vazia. Amanhã e domingo o cenário já deve ser outro. Comprei o ingresso pela internet (sem tarifa adicional!), então isso também me poupou tempo de filas.

Nesse ano, pelo que dei uma olhada rápida, não havia nenhum autor presente que me interessasse. Sugiro que deem uma olhada na programação no site para que vejam se alguém lhes apetece 😉

O tema desse ano era a Argentina e seus escritores, tema esse que deve ecoar em bastantes bate-papos e palestras. Na decoração do ambiente, há uma instalação que lembra um iceberg, cheios de fotos de autores argentinos e exemplares no original de seus livros. Também colocaram telas com fones de ouvidos plugados dos quais, teoricamente, é possível ouvir peças de música do país homenageado – mas o recurso não funciona, as telas não respondem ao toque, nem sai som dos fones =P

arg

Argentina, país homenageado dessa Bienal.

borges

Encontrei tio Borges e seus livros (olhem o Ficciones ali, o laranjinha da vitrine esquerda!)

eu e borges

Borges e eu. Nascemos no mesmo dia do mesmo mês ^^ (claro que com anos de diferença, hehe).

Bem, foi tudo isso. Tudo o que lembro. Foi uma Bienal bem fraca em promoções das grandes editoras. O que, como disse, não prejudicou em nada a experiência única que o melhor evento de livros do Rio proporciona. Vão também e se inebriem!

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